26/04/2021

Registro do Fortalecimento do Bloco Rural Boneca Janaina da Alegria / LAB-PE 2020

 

















































Fortalecimento do Bloco Rural Boneca Janaina da Alegria / LAB-PE 2020



O Bloco Rural Boneca Janaina da Alegria está de cara nova. Com os recursos da Lei Aldir Blanc em Pernambuco, o grupo cultural deu uma repaginada na identidade visual e instrumental. Fundado em 17 de fevereiro de 1996, a agremiação carnavalesca é composta por cerca de 40 integrantes, que inclui, crianças, adolescentes, jovens, adultos e trabalhadores da cana-de-açúcar e da agricultura, do Engenho Serra, zona rural da cidade de Chã de Alegria, região da Mata Norte. Há 25 anos é considerado uma das manifestações de cultura popular mais antiga do carnaval pernambucano. Historicamente, nos dias de folia, o bloco ganha as ruas e avenidas da cidade e região arrastando uma multidão, ávida por frevo, maracatu e muita diversão.

A expectativa é que, assim que se encerrem as limitações impostas pela pandemia de covid-19, a agremiação possa fazer um lindo desfile carnavalesco. Pensando nisso, a Boneca Janaina, montada em tamanho gigante, superior a dois metros de altura, passou por uma manutenção no visual. O trabalho foi feito à mão, por um artesão, da cidade de Olinda, especializado neste tipo de obra de arte.

O porta-estandarte, símbolo principal do Bloco Rural Boneca Janaina da Alegria, também passou por uma remodelação. Também confeccionado à mão, a peça de arte feita em tecido aveludado, nas cores rosa, amarelo e vermelho, traz, ao centro do estandarte, uma versão da miniatura da Boneca Janaina, bordada em tecido, uma maneira de reafirmar a simbologia e a importância da agremiação na folia de rua. Além disso, o grupo cultural também adquiriu novos instrumentos musicais de percussão e revitalizou outros.

“Estamos muito animados e orgulhosos com o resultado da manutenção do nosso Bloco Rural Boneca Janaina da Alegria. Junto com a comunidade, buscamos unir esforços para pensar em cada detalhe. Tudo foi elaborado com muito carinho, trabalho e amor pela nossa cultura e tradição”, conta a vice-presidente da agremiação, Josilene Maria dos Santos.

O projeto de manutenção do grupo também proporcionou aos participantes a entrega do certificado de parceria. O documento, assinado pela diretoria, busca estabelecer o reconhecimento público, engajamento e importância dos brincantes e de toda à comunidade no trabalho de preservação, salvaguarda e memória cultural que é feito por meio do Bloco Rural Boneca Janaina da Alegria.

“Apesar das dificuldades impostas pela pandemia, a união da comunidade, dos brincantes e do poder público, fez toda diferença para que alcancemos essa conquista. Somos um grupo de tradição e precisamos dessas parcerias para poder manter viva a chama da folia, arte e história de nossa gente”, afirma o produtor artístico e cultural do grupo, Gilson Xavier.

HISTÓRICO - A ideia de colocar o Bloco Rural Boneca Janaina da Alegria para desfilar no Carnaval surgiu da trabalhadora rural, Maria José dos Santos, conhecida como Maria Caboquinho. O grupo nasceu com a ideia de resgatar os antigos carnavais que aconteciam nos engenhos de cana-de-açúcar da região da Zona da Mata, organizados pelos trabalhadores rurais.

A agremiação, existente há mais de duas décadas, é composta por familiares de Maria José dos Santos, como filhos, netos, sobrinhos, e, também, por outros moradores da localidade. Para confeccionar as fantasias durante o carnaval, a comunidade promove, bingos. Uma maneira de assegurar recursos para que possa colocar o bloco na rua. Atualmente, a idealizadora passou por um problema de saúde, um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Apesar das limitações impostas pela doença, dona Maria faz questão de acompanhar de perto e dar todo o apoio para que a família não deixe a tradição morrer. Ao longo de toda a trajetória cultural, o Bloco Rural Boneca Janaína participou, além do carnaval, de vários eventos culturais, como o Festival de Inverno da cidade de Garanhuns (FIG), Projeto de Intercâmbio Cultural de Blocos Rurais, do Ministério da Cultura, Secretaria da Diversidade Cultural e Cidadania e Governo Federal, entre outros.

22/11/2020

COM INCENTIVO DO FUNCULTURA, CIDADE DE TRACUNHAÉM CONCLUI OFICINA DE NOVOS OLEIROS

 

Fonte: http://www.cultura.pe.gov.br/canal/funcultura/com-incentivo-do-funcultura-cidade-de-tracunhaem-conclui-oficina-de-novos-oleiros/

A formação, coordenada pelo produtor cultural Gilson Xavier Silva, aconteceu no Ateliê do Mestre Zuza Batista, durante os meses de setembro e novem
bro, obedecendo às normas sanitárias

Tracunhaém, localizada na Mata Norte de Pernambuco, é conhecida como a cidade do artesanato em barro na região, passando de geração em geração a transmissão do saber na confecção de alguidares, pratos, potes e panelas até chegar no trabalho contemporâneo, imagens sacras e peças decorativas. Dentro dessa perspectiva, o município concluiu, neste sábado (21), a oficina de transformação do barro e formação de novos oleiros que, com incentivo do Governo do Estado de Pernambuco, por meio dos recursos do Funcultura, possibilitou a formação de diversos jovens e adultos interessados na arte do barro.

Coordenada pelo produtor cultural Gilson Xavier Silva, aconteceu no Ateliê do Mestre Zuza Batista, durante 12 sábados entre os meses de setembro e novembro, obedecendo às normas sanitárias: uso de máscaras, distanciamento e álcool em gel. “Aproveitando o espaço do ateliê para aprendizagem com a preocupação em criar mecanismos que venham a incentivar aos alunos a querer aprender, fazer, manusear o barro e criar suas próprias peças utilitárias, religiosos e decorativos, o curso visou formar pessoas interessadas nas técnicas de transformação do barro para a qualificação de novos oleiros no município de Tracunhaém e na confecção de peças utilitárias e decorativas. A oficina teve caráter técnico e de demonstração, ministrada pelo pelo Mestre Artesão: José Edvaldo Batista (Mestre Zuza), pelo Oleiro Valdick Graciano de Lima (artesão), pela professora Iranilda Maria Ribeiro (coordenadora pedagógica) e Ronaldo José dos Santos (Assistente), ambos tracunhaenses”,

conta o idealizador da iniciativa. A finalização do projeto, além da certificação dos participantes, contou com exposição de peças produzidas pelos alunos no Centro de Comercialização e Produção Artesanal de Tracunhaém (Colégio de Artes). 
“Atualmente em Tracunhaém, há poucos profissionais em atividade, muitos já falecidos e a transmissão dos saberes é de fundamental importância para a manutenção da cultura característica da cidade”, diz Gilson Xavier sobre a importância do projeto.

31/10/2019

ESCOLA AGAMENON MAGALHÃES TRACUNHAÉM RECEBE AULA ESPETÁCULO DO CAVALO MARINHO ESTRELA DE OURO

Escola Estadual Agamenon Magalhães, localizada na cidade do Artesanato em Barro "TRACUNHAÉM-PE, recebe dia 04/novembro/2019 a partir das 10:30h, a Aula espetáculo do CAVALO MARINHO ESTRELA DE OURO - Condado/PE (Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco). E a interação artística do COCO DE RODA PANELA DE BARRO DE TRACUNHAÉM-PE. Incentivo: Funcultura / Fundarpe / Secretaria de Cultura / Governo de Pernambuco. Realização: Cavalo Marinho Estrela de Ouro do Condado, Idealizador: Produtor e Professor Universitário Clébio Marques e Produtor Local: Gilson Xavier.










05/09/2019

FALECIMENTO DO MESTRE ARTESÃO "ZEZINHO DE TRACUNHAÉM" - PATRIMÔNIO DE PERNAMBUCO.

ceramista José Joaquim da Silva, "Zezinho de Tracunhaém", Morre aos 80 Anos, na cidade do Recife-PE (04/09/2019), fez da arte santeira a sua expressão maior, tornando-se um dos mais importantes artistas populares do Brasil, fonte de inspiração e mestre de dezenas de artesãos, tendo obra escultórica encontrada em acervos de igrejas, museus e coleções particulares, como o Museu de Arte Contemporânea (PE), Museu Casa do Pontal (RJ), Palácio do Planalto e em outros espaços no Brasil e Exteriores. 


Nasceu no dia 5 de julho de 1939, no município de Vitória de Santo Antão-PE. De família humilde, foi criado no corte da cana-de-açúcar e até os 21 anos de idade esse foi seu meio de sobrevivência, trabalhando em engenhos da Região Mata Norte de Pernambuco. Conheceu sua mulher, Maria Marques, em Chã de Alegria-PE e com ela fugiu porque o sogro não queria ver a filha casada com um trabalhador da palha da cana. Casaram na igreja matriz da cidade e retornaram para Chã de Alegria-PE. Acompanhou o sogro, quando este se mudou para a cidade de Nazaré da Mata-PE e lá começou a trabalhar como ajudante de pedreiro. Em uma eventual viagem à vizinha TRACUNHAÉM-PE, o jovem pai de família se deparou com a produção cerâmica dos artesãos do município e ficou fascinado. Ganhou de Lídia Vieira - pioneira e uma das mais notáveis artistas da cidade  - um punhado de barro. “Sentir o barro nas minhas mãos, foi uma sensação de eu nunca mais vou esquecer em minha vida. É como escutasse uma voz vinda de dentro dizendo: trabalhe”, recorda o mestre, Patrimônio Vivo de Pernambuco desde 2007
Assegurando o sustento da família de dia e se dedicando ao barro à noite, Zezinho não demoraria a criar a  sua primeira peça: um casal de namorados encostado na porteira de um engenho que, admite, retratava um dos primeiros encontros dele com Maria Marques. Depois vieram trabalhos inspirados em personagens populares, trabalhadores urbanos e do campo. As pequenas esculturas eram vendidas na feira da cidade. O material chamou a atenção da jornalista Marlieta Pessoa, que destaca em texto publicado no jornal Gazeta de Nazaré da Mata-PE (20.04.1966) o surgimento de um grande artista. Foi ela, com o apoio do pároco da cidade (Padre Mário) que organizou a primeira exposição de Zezinho, realizada na Biblioteca Municipal de Nazaré da Mata, em outubro de 1966. Zezinho conseguiu vender todas as 60 peças e com o dinheiro apurado, comprou terreno e casa mudando-se em 1968 com a família para Tracunhaém-PE. 
Na terra do artesanato em barro, mestre Zezinho se inicia na arte santeira, expressando-se através do artesanato figurativo a sua fé religiosa. Sua escultura em que Nossa Senhora aparece grávida ao lado de São José, destaque na 1ª Bienal do Artesanato de Pernambuco (1986), projetou o nome do artista, que ao longo dos anos teve como admirador e incentivador Abelardo Rodrigues (1908-1971), especialista e um dos maiores colecionadores de arte sacra do Brasil. “Tenho muito orgulho de tudo.Deus é tão poderoso que fiz meu nome, criei minha família tendo o barro como sustento. Tracunhaém inteira pisou no meu rastro na arte santeira”, assegura. 
Na temática sacra, mestre Zezinho ganhou fama pelas esculturas ricas em detalhes e volumes que podiam chegar a dois metros de altura. Sempre teve predileção por São Francisco de Assis, apesar de criar com grande desenvoltura imagens dos mais diversos santos católicos. Participou de dezenas exposições, como a organizada pelo Museu Nacional de Belas Artes (RJ), em 1981. 
Por questões de saúde, foi forçado a deixar de lado sua produção artística, hoje levada por quatro dos seus nove filhos e dois dos 13 netos. “Mas tenho fé que ainda vou trabalhar com o barro e com ele, farei a escultura de um Jesus Cristo ajoelhado pedindo permissão a Deus”, avisa. 
O artesão juntamente com seus filhos integrava a Alameda dos Mestres na FENEARTE (Feira Nacional de Negócios do Artesanato) desde 2010. Além de Patrimônio Vivo da cultura pernambucana, recebeu diversas honrarias em reconhecimento ao seu trabalho, como o título de Cidadão da Cidade de Tracunhaém-PE (2002), o Troféu Construtores da Cultura Cidade do Recife (1992), entre outros. 

José Joaquim da Silva (Zezinho de Tracunhaém)  * 05/07/1939    + 04/09/2019

Postagem: Gilson Xavier (Produtor Cultural) - Tracunhaém/PE